Avalon
Avalon, Japão/Polónia, 2000, 102 min. Direção: Mamoru Oshii Elenco: Malgorzata Foremniak, Wladyslaw Kowalski, Jerzy Gudejko, Dariusz Biskupski, Bartek Swiderski, Michal Breitenwald, Zuzanna Kasz, Alicja Sapryk
Sinopse: Ash é uma mulher solitária que tem por única companhia um cão e é viciada em jogos de vídeo e realidade virtual. Durante muitos anos foi membro de um grupo chamado Wizard, constituído por verdadeiros aficionados por um jogo de guerra virtual ilegal chamado “Avalon” em referência a ilha lendária onde repousam as almas dos guerreiros. Após a separação do grupo, Ash passa a jogar por conta própria. Um dia, descobre que Murphy, um antigo colega e amante, tornou-se um zumbi. Ash fica surpreendida pela noticia, sobretudo pelo fato de Murphy ser um dos melhores jogadores de “Avalon”. Intrigada com o sucedido, Ash decide atravessar os níveis completados por Murphy de forma a aceder a um nível especial batizado “Class A”, mas para tal, vai ter de encontrar a Sombra, uma misteriosa menina de olhos tristes que a levará até lá.
Critica: Cinco anos após a sua obra mais aclamada, o anime Ghost in the Shell, Mamoru Oshii apresenta-nos Avalon. A primeira coisa que se tem de saber é que Avalon não é um filme fácil. Este filme fascina tanto como repele. É uma obra singular que se aproxima mais do ensaio artístico do que propriamente de um filme. Avalon possui um argumento que, apesar de não ser original, é bastante interessante e serve perfeitamente o objetivo do realizador , o qual procura constantemente dissertar acerca da fronteira entre a realidade “real” e a realidade virtual, usando um jogo fictício como o palco ideal para a exploração exaustiva deste tema, nunca fornecendo uma resposta direta, antes colocando questões perspicazes. No caso de Ash, o único elemento que a mantém na realidade é o seu cão, Ser que parece ser mais Humano que a maioria das pessoas que ela conhece. Num universo que reúne as melhores características de um anime e de um futuro cyberpunk, Avalon é um filme que se assemelha à proposta de Matrix, mas sem os defeitos (e também sem algumas das qualidades) deste. Enfim, é um filme sem muito propósito, com um roteiro arrastado, mas é um pródigo experimento. Supera sua lentidão ao causar a indagação do porque o ser humano busca e sempre buscou o refúgio da ilusão e de um simulacro da realidade.
Minha opinião: Avalon é sobretudo um filme de imersão no qual é preciso mergulhar para obter satisfação. É como que uma critica a sociedade moderna que busca nas novas tecnologias algo que os possa preencher já que as suas vidas são tão insignificantes.
Curiosidade: O filme é considerado japonês, pois seu diretor bem como os produtores são japoneses. Mas o filme foi rodado na Polônia e os atores bem como o idioma falado no filme são poloneses. Pena que só consegui assistir a cópia francesa. Menos mal, pelo menos esta preservou as falas originais do filme, ao contrario da cópia dublada em inglês que descaracterizou totalmente a obra.
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Interessante. Eu sou grande fã de eXistenZ, que trata da mesma temática, apesar da visão extremente feminista.
Vindo do mesmo berço que Ghost in the Shell deve valer muito a pena