Máscara da Ilusão (Mirrormask)
Mirrormask, Reino Unido/ EUA, 2005.,101 min. Direção: Dave McKean Elenco: Stephanie Leonidas, Gina McKee, Rob Brydon, Jason Barry, Dora Bryan, Robert Llewellyn, Andy Hamilton, Stephen Fry.
Sinopse: A história envolve uma protagonista adolescente, Helena, filha de artistas de circo e que, ao contrário de muitas crianças, deseja apenas uma vida normal. Nas suas horas livres, demonstra talento para ilustração e nos seus desenhos constrói um mundo imaginativo. A relação conflituosa com a mãe e a vida de circo mostram-nos uma jovem que passa o tempo em fantasias escapistas, e não é de estranhar então que os seus sonhos ir-lhe-ão abrir outras portas, a um mundo onde a palavra realidade não se aplica. Não fossem os sonhos um dos temas favoritos de Gaiman, proporcionando-lhe episódios férteis de criatividade. Neste universo paralelo onírico, Helena aprende a verdade sobre as leis que regem esse mundo, ameaçado por uma rainha das trevas que procura por uma filha perdida, e que é na realidade o alter-ego da jovem, o seu Mr. Hyde. A filha da rainha das trevas deu uso a um encantamento, o mirrormask que lhe permitiu escapar para o mundo de Helena. Ambas trocam lugares e a pouco e pouco apercebemo-nos de que a rapariga se encontra enclausurada no próprio mundo ilustrado que criou e obtém vislumbres da outra Helena através de pequenas janelas. Para pôr fim à usurpação da princesa das trevas, a jovem terá que encontrar o encantamento Mirrormask.
Critica: Neil Gaiman e Dave McKean tornaram-se, desde os anos 80, uma das duplas mais influentes e criativas das HQs, alargando os limites do formato e apostando numa linguagem própria, experimental e facilmente identificável. Mirrormask, ao primeiro longa-metragem criada pela dupla (argumento de Gaiman, escrita por ambos e realizada por McKean) suscitava, por isso, alguma expectativa, pois se o filme fosse tão inventivo como os livros e as HQs seria um título a não perder. A temática recorrente nas graphics novels da dupla mantém-se – as interligações entre o real e o onírico, o crescimento, a inadaptação e a diferença -, assim como um estilo visual entre o gótico e o surrealista que facilmente se atribui a McKean. A dita critica especializada não perdoou. Falou-se de argumento anémico e vulgar, prejudicado por apostar numa narrativa esquemática e linear, sendo menos misterioso e absorvente do que se exigiria a algo gerado pela dupla Gaiman/McKean. A Jim Henson Productions, criadores dos Muppets, liberou um orçamento de quatro milhões de dólares. Segundo Gaiman, o estúdio percebeu que seus filmes Labirinto e Cristal Encantado, apesar de não serem grandes sucessos, vendem regularmente, ano após ano, e investiram em um projeto com as mesmas características.
Minha opinião: A qualidade artesanal faz parte do estilo de Dave McKean. Ele não se preocupa em tornar as coisas naturais ou realistas. Os céus podem ser feitos de papel, e as personagens podem ser feitas de pilhas de livros. É um mundo de imaginação. É um mundo imaginado. E tentar que tudo pareça realista parece uma abordagem. O experimentalismo nunca é bem aceito pelo público mainstream, quanto mais compreendido…
2 Comentários »
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Adorei “Mirrormask” também. Cabe perfeitamente uma análise Jungiana por exemplo.
Tá lindo seu texto, adorei! Vc tem estilo.
Acabei de escrever um texto sobre filmes de horror orientais, mas vou postar amanhã ou depois.
A gente vai se comunicando. E vou lendo os outros seus aos poucos, pois meu acesso à web tá feio…
besitos
Ana
Estou louco para ver um filme saído dessa dupla. E quem sabe com isso eu convenço alguém algum dia a arriscar um changeling comigo….
Adorei esse teu blog, amigo, tá nos favoritos.