Critique et Contradictoire

Imortal (Immortel [ad vitam])

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 Immortel (ad vitam) França/Itália/Reino Unido, 2004. 102 mins. Direção: Enki Bilal. Estrelando: Linda Hardy, Thomas Kretschmann, Charlotte Rampling, Jean Louis Trintignant, Frédéric Pierrot  

Site oficial: www.immortel-lefilm.com/

Sinopse: New York, 2095. Dentro de uma estranha pirâmide flutuante, os deuses do antigo Egito julgam Hórus, um deus com corpo de homem e cabeça de falcão. Em baixo na cidade, existe uma misteriosa mulher de cabelo azul que também derrama lágrimas azuis. Seu nome é Jill Bioskop (interpretada pela Miss França, Linda Hardy). Ela não sabe mas o Deus Hórus cruzou todo o universo para a conhecer, Hórus foi condenado a morte pelos seus pares. Ele tem sete dias de vida, sete dias para encontrar Jill no meio da confusão da cidade, seduzi-la e possuir o seu corpo, pois ela tem a capacidade genética de engravidar de um Deus, o que concederia a imortalidade a Horus. Para o conseguir Horus vai possuir o corpo de Nikopol (Jean-Louis Trintignant, que já havia atuado em Bunker Palace Hôtel, de Bilal), um prisioneiro politico que foi congelado à trinta anos atrás por saber de mais, e acabou de fugir. Horus, Nikopol e Jill, numa misteriosa e sobrenatural relação onde tudo se distorce: corpo, voz e memória. A trilha sonora é do premiado Goran Vejvoda, que além de trilhas para o cinema, colabora com prestigiosos espetáculos cênicos na França. Vejvoda já trabalhou com Bilal em Tykho Moon. 

Critica: Enki Bilal adaptou ao cinema a história e o traço das suas melhores HQs- La Faire aux Immortels, La Femme Piège e Froid Équateur, que compõem a Trilogia Nikopol. Immortel anda, fala e se parece com uma superprodução, mas o espírito é de artista performático experimental. Tem uma lógica própria, a história faz sentido dentro do filme, mas se o espectador incauto não entende bulhufas, a culpa não é dele. Um dos maiores fracassos de bilheteria da França, Immortel é o terceiro longa metragem de Bilal. O filme é basicamente todo em CGI. Apenas os protagonistas Nikopolos e Jill, além de dois outros personagens secundários, são reais. O restante dos papéis, assim como os cenários, são criados por computador, alguns se reconhece de cara (aparentemente os traços não-realistas são propositais, para que se recriasse o efeito de HQ), enquanto outros demorasse a descobrir se eram reais ou não. Se uma coisa pode ser elogiada em Immortel é que Bilal consegue suspender a artificialidade inicial daquele mundo e fazê-lo vibrante. Esteticamente falando, Immortel é um luxo só. Porém, tropeça no fato de tudo ser uma metáfora ou alusão a alguma coisa. Immortel não é uma obra-prima do cinema, mas conta uma história que pertence ao universo de Bilal, filmada de forma muito interessante e adequada. Se isso for o suficiente, para alguns já é muito bom. Pena o público mainstream atual estar mergulhado na forma, não querendo tentar ver um pouco mais da substância deste filme.  

Minha opinião: Mais que uma fábula, Immortel é um alerta, que indica que o mundo da ciência tal como a conhecemos hoje pode levar a uma sociedade de castas que dividem e esmagam o ser humano. É uma obra difícil de entender para um público viciado num tipo de cinema gratuito, espalhafatoso mas pouco conteúdo, como é o cinema de estúdio estadunidense. O problema notório do público que criticou Immortel é o de apenas ver o que as CGI mostram, diga-se de passagem de uma forma perfeita, não conseguindo atingir o que Bilal está a expressar o que poderá ser o ser humano num futuro breve, que cada vez se torna mais eugênica. Claro que nem vale a pena contestar a incomprensão das facetas mais líricas do filme que esse tipo de público encontrou.

Sábado, 28 Julho, 2007 - Publicado por daxiomar | Cinema Europeu | | 1 Comentário

1 Comentário »

  1. Realmente acho que a crítica é especializada em outra coisa que não o abordado neste maravilhoso CG. A questão fica muito mais profunda e significativa quando se conhece mitologia egípcia; não se trata só de eugenia e ciência, é sobre a busca da eterna pela imortalidade, os conceitos de honra, moral e irmandade como diferenciados nos seres diferenciados (no caso dos deuses) e até mesmo um debate subliminar sobre as possíveis espécies de imortalidade e o modo de encarar o “vazio”.

    Não posso deixar de achar que a obra é sim muito boa.

    Comentário por Clodoilson | Quinta-feira, 17 Abril, 2008 | Responder


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